Gastos domésticos: existe média ideal para equilibrar as contas?

Gastos domésticos: existe média ideal para equilibrar as contas?

Equilibrar os gastos domésticos pode representar um grande desafio para muitas famílias. A última Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) revelou que 61,5% das famílias estão endividadas com empréstimos, cartões de crédito, cheque especial, entre outras obrigações. 9,2% simplesmente não terão condições de arcar com essas dívidas.

Esse cenário causa grandes problemas. Além de ansiedade e estresse, o acúmulo descontrolado de despesas pode trazer desgaste na convivência familiar. Mas é possível resolver tudo isso com uma boa organização financeira.

Parte desse planejamento envolve saber dividir os gastos domésticos e calcular o percentual que cada um deles precisa demandar do orçamento. Sabe fazer isso da forma correta? Continue a leitura para entender como funciona o método!

As categorias de gastos domésticos

Saiba dividir os gastos domésticos em categorias

Divide et impera, ou “dividir para conquistar”, é um conceito sociopolítico muito conhecido que consiste na ideia de separar as forças do inimigo para enfraquecê-las e, assim, vencer. Esse mesmo princípio pode ser aplicado às finanças.

Quando dividimos nossas despesas por grupos, fica mais fácil de gerenciar e de definir o que é essencial e o que seriam apenas gastos desnecessários ou dispensáveis. Também conseguimos perceber até que ponto nosso dinheiro está sendo direcionado para itens sem importância — o que representaria um grande desperdício. Veja a seguir como dividir os seus gastos:

• despesas da casa: aluguel, condomínio, luz, água, telefone, internet, gás;

• mercado: alimentação dentro de casa, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza;

• transporte: Uber, gasolina, táxi, transporte público;

• alimentação fora de casa: restaurantes, cafezinhos, fast-food;

• lazer: cinema, serviços de streaming (Netflix, Spotify etc.);

• educação: escola dos filhos, faculdade, cursos, livros;

• cuidados pessoais: academia, salão de beleza/barbeiro;

• investimentos: seguro de vida e previdência privada, poupança, fundo de emergência;

• impostos: IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), Simples Nacional, IR (Imposto de Renda);

• saúde: convênio médico, remédios, tratamentos;

• outros: presentes e despesas com pets.

É verdade que as possibilidades são inúmeras, dependendo da rotina e dos hábitos da sua família. Mas a ideia é, de forma didática, dividirmos essas despesas em categorias. Você pode até criar classes conforme seu perfil de consumo; porém, não é recomendado exagerar na quantidade, pois isso dificulta a análise do seu orçamento.

Agora que você já fez uma lista de todos os gastos e os categorizou conforme sua natureza, vamos fazer uma análise mais apurada, dividindo essas categorias em três grandes grupos:

• gastos essenciais: mercado, educação, casa, saúde, transporte e impostos;

• estilo de vida: lazer, cuidados pessoais e alimentação fora de casa;

• objetivos ou prioridades financeiras: dívidas e investimentos.

Mas daí fica uma pergunta: qual é a medida certa que deve ser gasta em cada grupo? Descubra, a seguir, um método que vai responder a essa pergunta.

A porcentagem ideal de gastos familiares

Existem diferentes métodos que determinam o percentual que cada categoria ou grupos de categorias deve demandar da sua receita. Vamos propor um modelo de organização das finanças que dá certo para muitas famílias: a regra 50-30-20. Essa técnica determina um limite de gastos para cada grupo de gastos da seguinte forma:

• 50% da renda deve ser direcionada para os gastos essenciais e fixos, como moradia e mercado;

• 30% da renda é usada para gastos variáveis ligados ao estilo de vida da família, como lazer, viagens e restaurantes;

• 20% da renda precisa ser usada para arcar com prioridades financeiras, que vão ajudar a alcançar sonhos e projetos.

É claro que essas são sugestões, e ajustes podem ser feitos conforme a realidade de cada família. Quem mora de aluguel, por exemplo, terá gastos essenciais maiores, e isso precisa ser levado em conta. A ideia é que a proporção de distribuição de gastos não fique muito distante dessa regra. Entenda como funciona na prática.

materiais educativos

Reorganizando as finanças da família

Para você entender como estão as suas finanças, é preciso fazer um diagnóstico inicial. Siga o passo a passo a seguir!

Registre suas receitas

O primeiro passo é somar toda a renda da família. Isso inclui o que vocês recebem de salários, honorários, imóveis alugados, entre outros.

Faça um levantamento de todos os seus gastos domésticos

Você poderá fazer uma lista com todos os pagamentos mensais fixos e variáveis. Coloque por escrito também aqueles gastos com lazer, alimentação fora e até presentes que planeja dar.

Categorize e agrupe

Separe os gastos por categorias e some quanto você está gastando com cada tipo de despesa. Então, separe as categorias nos três principais grupos: essenciais, estilo de vida e prioridades financeiras.

Aplique a regra 50-30-20

Multiplique sua renda por 0,5; 0,3 e 0,2 para descobrir o limite de gastos que deve alcançar em cada grupo (50%, 30% e 20%, respectivamente). Por exemplo, se a soma da renda familiar for R$ 3.500, teremos os seguintes valores:

• até R$ 1.750 para gastos essenciais;

• até R$ 1.050 para estilo de vida;

• até R$ 700 para prioridades financeiras.

Com esse cálculo, talvez você descubra que está gastando demais com restaurantes ou outros tipos de lazer. Ou talvez possa economizar mais no mercado. Além disso, se está fazendo poucos investimentos, pode estar comprometendo o futuro e a tranquilidade financeira da sua família, sem falar que está deixando de construir seu patrimônio.

Essa divisão está de acordo com as necessidades e os hábitos de consumo dos brasileiros. De fato, as famílias gastam mais com habitação, transporte e alimentação. No entanto, esses gastos têm ficado cada vez maiores. Por isso, é preciso saber determinar o que é essencial e o que já se tornou um consumo exagerado.

Lembre-se de que manter os gastos dentro do orçamento precisa ser um projeto de toda a família. É importante incluir até mesmo as crianças. A educação financeira infantil vai contribuir para que os pequenos cresçam usando o dinheiro de forma responsável e tomando decisões inteligentes sobre seus recursos.

Neste texto, propusemos o que seria uma divisão ideal dos gastos domésticos. Apesar das características particulares de cada família, é possível reorganizar as finanças para chegar o mais próximo possível dessa realidade. Esteja certo de que todo o esforço vale a pena!

Sabendo desse desafio de organizar as finanças da família, temos um presente para você. Preparamos um guia de Planejamento Financeiro Familiar. Baixe o material gratuitamente e confira!

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